Nova onda de demissões na Salesforce em 2026
Gigante de software corta postos em divisões de inteligência artificial e marketing para proteger margens em meio à pressão de Wall Street.
São Francisco – A Salesforce iniciou uma nova rodada de demissões, cortando postos de trabalho em divisões importantes como o produto de inteligência artificial Agentforce, a ferramenta de integração de TI MuleSoft e o software Marketing Cloud. A reestruturação foi confirmada por pessoas familiarizadas com o assunto e por uma notificação regulatória (WARN) protocolada no estado da Califórnia.
Este é o segundo grande corte promovido pela companhia em 2026, somando-se à rodada de demissões realizada em janeiro, quando pouco menos de 1.000 cargos foram eliminados. Procurada, a Salesforce não respondeu aos pedidos de comentário.
Os detalhes dos desligamentos
De acordo com o documento oficial da Califórnia, 86 funcionários foram desligados em funções que abrangem as áreas de vendas, administração geral, tecnologia e produtos. No entanto, o impacto da reestruturação é mais amplo: fontes internas afirmam que profissionais no estado de Washington e em operações fora dos Estados Unidos também foram afetados.
Os funcionários desligados na Califórnia permanecerão na folha de pagamento da empresa até o dia 7 de agosto. Segundo as políticas internas da Salesforce, o pacote de rescisão é determinado pelo cargo e pelo tempo de casa, podendo chegar a até seis meses de salário. Profissionais com 60 anos ou mais terão direito a um adicional de quatro semanas de compensação.
Uma fonte familiarizada com os cortes ressaltou que, embora a divisão do Agentforce tenha sido atingida de forma periférica, as equipes centrais de engenharia e desenvolvimento do produto de IA foram totalmente preservadas.
O paradoxo da IA e a pressão de Wall Street
A movimentação ocorre em um momento em que a Salesforce enfrenta forte ceticismo por parte do mercado financeiro. As ações da companhia acumulam uma queda superior a 30% em 2026, impulsionada pelo temor dos investidores de que os novos modelos e agentes autônomos de inteligência artificial possam substituir os softwares tradicionais do mercado — incluindo a principal plataforma de CRM (gestão de relacionamento com o cliente) da própria Salesforce.
Para combater essa ameaça existencial, a estratégia da empresa tem sido acelerar o desenvolvimento de suas próprias soluções de IA. O caminho, contudo, tem sido de altos e baixos. Relatórios do final do ano passado apontavam que a adoção do Agentforce ainda era considerada baixa e que as capacidades reais da ferramenta não correspondiam totalmente ao que a empresa exibia em suas demonstrações públicas.
Apesar das desconfianças iniciais, o produto começou a dar sinais robustos de faturamento. No mês passado, a Salesforce informou ao mercado que a receita anualizada do Agentforce ultrapassou a marca histórica de US$ 1 bilhão.
Mesmo com o avanço financeiro da divisão de IA, a pressão por eficiência operacional falou mais alto na planilha de custos do RH. No final de janeiro de 2026, a Salesforce contava com mais de 80 mil funcionários globais, segundo dados enviados à SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA). Os novos cortes reforçam a tendência das grandes empresas de tecnologia de utilizar a automação para enxugar estruturas intermediárias e priorizar a lucratividade.



